DO MICRO AO MACRO - Empreendedorismo com Microverdes


Por Rodrigo Reis - Fundador MicroFarmJF - Maio 2021.  

 

Se você assiste programas de TV sobre culinária, provavelmente já viu essas pequenas verduras finalizando alguns pratos. Foi justamente em meio à alta gastronomia que os microgreens ou microverdes surgiram, devido ao seu apelo visual e sabor marcante. Hoje eles ganham cada vez mais espaço na mesa das famílias, num momento onde a alimentação saudável cresce com força em todo o mundo. E sobre este aspecto, essas variedades ainda se apresentam como uma ótima alternativa, visto que pesquisas apontam uma concentração de nutrientes de 8 a 40 vezes maior que as mesmas espécies de tamanho convencional.

Para o(a) produtor(a), elas vêm se demonstrando uma excelente opção, devido ao seu alto valor agregado e capacidade de adequação à realidade de cada empreendedor(a), podendo ser cultivadas dentro de casa, para consumo próprio ou complemento de renda, bem como em ambientes controlados, altamente tecnológicos. Por serem folhosas, possuem alta perecibilidade, o que as torna bastante viáveis para a agricultura urbana, se colocando próxima ao mercado consumidor, reduzindo desperdícios e possibilitando o princípio Farm to Table, que cresce na olericultura. Foi seguindo esta ideia de produção sustentável de alimentos, que em 2020 surgiu a MicroFarm, na cidade de Juiz de Fora-MG.

 

Aquele(a) que opta por introduzir estas variedades, têm a opção de produzir de forma hidropônica, em substratos convencionais ou como têm sido realizado na MicroFarm, por meio de um sistema semihidropônico, onde os microverdes são colocados em bandejas sobre uma bacia com sistema fechado de irrigação, em estufas (há também a alternativa de iluminação artificial). A comercialização pode ocorrer tanto ainda vivas nas bandejas ou colhidas e vendidas em potes, preferencialmente transparentes. Cultivados de forma precoce, passam de 3 a 7 dias em ambiente escuro para germinação e então são encaminhadas para casa de cultivo, onde crescem mais 7 a 15 dias, até atingir o tamanho comercial.

Por ser um produto novo no mercado, apresenta o desafio de criar e fidelizar seus clientes, exigindo grande esforço em divulgação, marketing e qualidade do produto (cuidados com a sanidade são bem importantes). Ainda há a opção de se comercializar para quitandas, feiras e restaurantes, apresentando um grande potencial de vendas e garantia de maior estabilidade na escala produtiva. O baixo volume de pesquisas e informações sobre o tema, assim como a falta de uma cadeia de insumos voltados a esse cultivo são também um desafio. No momento,
a baixa concorrência, aliada a inviabilidade de transporte por longas distâncias são fatores positivos para quem deseja entrar no negócio, incluindo produtores de outras hortaliças.

Por fim, o empreendorismo nesse setor, deve saber agregar valor ao seu produto, investindo na sustentabilidade da marca, vantagens do produto (sabor, aspecto visual, frescor, capacidade nutricional e maior proximidade e identificação do consumidor com seu alimento) além por exemplo de ideias de receitas para incluir os microverdes. Este é o objetivo da MicroFarm, que disponibilizará no seu instagram (@microfarmjf) bastante conteúdo sobre bem-estar e saúde, e claro, sobre plantas e comida viva e gostosa de verdade.


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